sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Flyer: Amor à Flor da Pele


Uma fresta no tempo

Wong Kar-Wai, um conceituado diretor de cinema, usa de diversos efeitos cinematográficos para mostrar e realçar emoções e sensações que não podem ser transferidas para o papel, o que pode ser observado no filme Amor à flor da pele. Hélio Oiticica busca através de suas obras a participação total do público para dar vida às mesmas, como por exemplo, podem ser citados os Penetráveis. A obra de Matta Clark é composta por intervenções em edifícios públicos antigos, fazendo-os interagir com o espaço. Guto Lacaz é um artista bastante flexível, em seu estúdio desenvolve todo tipo de trabalho de criação, marcados por humor, poesia e surpresa; como por exemplo, seu trabalho intitulado de coincidências industriais que remete a comparações geométricas.
De Acordo com a análise das obras dos artistas citados acima, conclui-se que há uma ligação entre estes, a qual pode ser representada pela palavra TEMPO, o qual é perceptível a partir de pequenos detalhes. Como a mudança de ritmo do fundo musical no filme dirigido por Wong Kar-Wai; o tempo de observação que requer visitar uma obra penetrável de Hélio Oiticica; a recuperação do tempo de vida útil dos prédios que sofreram intervenção por Matta Clark; e por fim as comparações geométricas  feitas por Guto Lacaz que podem ser comparadas ao tempo musical.   

Tendo a palavra ``Tempo´´ como eixo principal da intervenção, buscamos fazer uma releitura do nosso próprio trabalho de fotos que discutia a decadência da velha ponte que liga Coronel Fabriciano a Timóteo, onde buscamos desta vez uma recuperação ficcional desta mesma ponte sem perder de vista a palavra tempo. Três elementos do grupo caminharam ritmicamente pela ponte demarcando os pontos com necessidade de suturas como se fossem médicos especialistas nesse tipo de doença (rachadura) e logo em seguida estes mesmo médicos deram início de imediato aos serviços de recuperação sendo usado para tal giz (linhas), e assim, foi delineada uma sobrevida para o nosso paciente concreto.


Daniela, Eduardo, Patrick, Tanny e Victor

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Estúdio I: Introdução à Arquitetura e ao Urbanismo e Interface com outras Artes

Fotografando a BR-381

Pontos de ônibus

Em interface com a Arquitetura e Urbanismo, o primeiro projeto do curso é sobre a fotografia, arte do recolhimento de instantes, utilizando como tema a BR-381. Em uma comparação singular ao corpo humano, arrisco-me a dizer que essa é uma grande veia que corta a região sudeste, passando pelos estados do Espírito Santos, São Paulo e principalmente por Minas Gerais, que abrange cerca de 80% do percurso da rodovia. 
Como subtema deste projeto escolhi fotografar um ponto de ônibus localizado na BR, pelo qual costumo passar com frequência mas por descuido esquecendo-me de reparar em suas particularidades. Durante a realização do ensaio percebi que o que mais me chamava atenção era a reação das pessoas que lá estavam ou por lá passavam. Devido a este fato, recordei-me das palavras de Diego Kuffer : "[...] um dos aspectos da fotografia que me seduziu foi a possibilidade de capturar momentos. Logo, no entanto, percebi que eu estava equivocado: eu era apenas capaz de recolher instantes. Um momento era algo mais longo, complexo do que uma câmera seria capaz de registrar; mesmo que o tempo de exposição fosse longo, o momento se transforma em um instante borrado." A reação das pessoas são momentâneas, portanto só posso capturar um instante delas, mas ao rever as fotografias vem em minha lembrança estes momentos, os quais outros que não estavam presentes não podem.
Entretanto aí está a beleza da fotografia, possibilitar ao público a  percepção do momento através da imaginação, assim cada um terá seu próprio momento mesmo que a partir de uma única imagem.
Para chegar a este objetivo me inspirei nas obras de Sebastião Salgado, que mostram o passado e ao mesmo tempo o presente, provocando a percepção de que o mundo não mudou tanto quanto imaginamos.